A loteria da vida: as chances que uma criança tem de sobrevivência são uma loteria

Pobreza e desigualdade

… A chance de sobrevivência de uma criança não deveria depender de onde ela nasceu, da riqueza de seus pais, ou de sua identidade étnica. No entanto, ao redor do mundo, esses fatores ainda determinam se uma criança vive para celebrar seu quinto aniversário – fatores que, para a criança, são puramente uma questão de oportunidades. Esta loteria injusta do nascimento viola o direito de toda criança para um começo igual na vida…  A loteria do nascimento, Save the Children

De acordo com o relatório “A loteria do nascimento” (The Lottery of Birth), desenvolvido pela Save the Children, em muitos países, as chances de que as crianças sobrevivam para comemorar o seu quinto aniversário melhoraram consideravelmente nos últimos anos. Mas, ao cavar por baixo da superfície das médias nacionais, os dados revelam diferenças consideráveis nas taxas de mortalidade entre diferentes grupos dentro do mesmo país.

Entre 1990 e 2013, a taxa global de mortalidade de menores de cinco anos caiu quase pela metade, de 90 a 46 mortes por cada 1.000 nascidos vivos. No entanto, enquanto nós vimos um progresso significativo, em muitos países a desigualdade está piorando.

Por exemplo, em Honduras, uma criança nascida na região das Ilhas da Baía tem mais de três vezes maiores possibilidades de morrer do que uma criança nascida na região mais favorecida do país. Esta desigualdade aumentou consideravelmente desde 2006.

Segundo David del Campo, diretor de cooperação internacional e ação humanitária de Save the Children: “as possibilidades que uma criança tem de sobreviver são uma loteria, depende de se ela reside numa cidade ou numa área rural, se ela pertence a qualquer grupo étnico ou se seus pais têm mais ou menos recursos. É intolerável que uma criança dependa da sorte que tenha ao nascer para sobreviver”.

O relatório foi apresentado na The New School, a partir de uma convocatória de Equity for Children (EFC) / Equidade para a Infância. O evento contou com a participação do diretor executivo da EFC, Alberto Minujin, que fez uma introdução sobre “Pobreza Multidimensional infantil e desigualdade”.

Os resultados foram apresentados por José Manuel Roche, chefe de pesquisa de Save the Children UK, que destacou algumas das causas fundamentais das maiores disparidades entre países e dentro deles: falta de acesso à saúde e planejamento familiar, e a ineficácia dos serviços de sistemas de saúde. Outros fatores que têm um impacto negativo no desenvolvimento equitativo incluem: pobreza, infraestrutura e governabilidade frágil e fraca.

O relatório conclui que não só é possível reduzir a mortalidade infantil em um ritmo mais rápido, mas também fazê-lo de forma equitativa, uma vez que alguns países demonstraram isso. De acordo com Save the Children, os países que diminuem as desigualdades progridem mais rapidamente na redução da mortalidade infantil.

Reduzir a taxa de mortalidade equitativamente em todas as camadas da sociedade, sem deixar de fora os mais desfavorecidos, implica:

  • Assegurar que os grupos mais desfavorecidos, aos que é mais difícil chegar, tenham acesso a cuidados de saúde universais e de qualidade.
  • Abordar as diferentes dimensões da pobreza e as causas subjacentes. Melhorar o acesso à água e ao saneamento, fornecer acesso à educação de qualidade e garantir um padrão digno de vida através de políticas de proteção social.
  • Realizar investimentos adequados em sistemas de saúde e em outras áreas sociais, redistribuindo recursos internos de tal forma que eles atinjam toda a população.

Acesse o informe completo em inglês: The_Lottery_of_Birth

Acesse o informe completo em espanhol: La_Loteria_del_Nacimiento

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